Evangelho Segundo o Espiritismo  

 Cap. XIII - “Não saiba a vossa mão  esquerda o que dê a vossa não direita”- O Óbolo da Viúva

Livros dos Espíritos -  Da Lei do Progresso – Pág. 779

Fonte Viva – Aberto ao acaso – (47) – Auto Libertação.

Expositora – Regina Celli Saldanh


Nunca pensaste que o Evangelho é uma receita geral para a humanidade sofredora? - Chico Xavier

Dona Maria de Lourdes, dedicada estudiosa do Espiritismo, costumava todas as tardes recolher-se em oração em benefício dos sofredores.
Onde que que suspeitasse uma dor, um problema, Dona Maria de Lourdes anotava o endereço e pedia, pedia.
Suas preces eram sinceras e comoveram os espíritos do bem que, interessando-se por ela, passaram a assisti-la com dedicação e assiduidade.
Assim sendo, mercê da bondade de Deus, e das possibilidades de cada um, muitos conseguiram ser atendidos. Dona Maria emocionada continuava orando, orando.
Observando-lhe por algum tempo as preces fervorosas e sinceras, Juvenal, amigo espiritual encarregado pelo plano superior para assisti-la, começou a pensar em ajudá-la ainda mais.
Tanta dedicação era meritória – pensava ele – e tanto amor naquela bondosa mulher certamente poderiam construir preciosa sementeira na obra de redenção da humanidade.
E Juvenal, espírito recém saído das dolorosas experiências terrenas, arquitetava planos de propagação evangélica e de regeneração dos espíritos sofredores.
Imbuído dos mais sublimes objetivos, Juvenal compareceu diante do seu superior e solicitou para Maria de Lourdes e ele, um campo maior e mais objetivo de trabalho. Enumerou as preces sublimes de sua tutelada, sua convicção espírita. Ela, a seu ver, seria instrumento excelente na Terra, para a sementeira do bem.
O Mentor, sério e atencioso que o ouvia, porém, respondeu-lhe com bondade :
Juvenal, nossa irmã guarda grandes possibilidade de cooperação nas obras do bem. Temos procurado ampara-la da melhor forma possível. Contudo, não aconselhamos nenhuma obra de maior responsabilidade por enquanto.
Decepcionado, Juvenal argumentou :
Talvez uma obra grande não, mas um pequeno grupo de passes, onde poderíamos melhor atender ao sofrimento humano, consolando e servindo em nome do Senhor e, mais tarde, um abrigo para órfãos ou para velhinhos abandonados.
O mentor sorriu com bondade e esclareceu :
Por enquanto nada. Nossa irmã, embora guarde boas possibilidades para o porvir, ainda não se dispôs ao trabalho ativo em favor do próximo e não lhe devemos violentar o livre arbítrio. Mas, observando que Juvenal calado e respeitoso não estava muito convicto, assegurou :
- Todavia, resta-lhe a possibilidade de tentar ...
O rosto de Juvenal iluminou-se.
Permite-me ?
Sim. Amanhã mesmo poderá fazer uma tentativa.
Agradecido, Juvenal despediu-se e imediatamente começou a diligenciar em favor do seu objetivo.
Na mesma rua em que Dona Maria de Lourdes residia, havia uma mulher infeliz. Espírito amoroso e sensível, porém preso à trama do passado, debatia-se cercada por obsessores cruéis que a vampirizavam.
Neste conflito sinistro, pouco a pouco, a infeliz, sem forças para libertar-se, reencarnada por necessidade regenerativa em ambiente devasso, cedo resvalara para o deboche e o erro, chegando aos maiores desastres. Jovem ainda e suportava a dor da degradação e do vício.
Juvenal, contudo, sabia que a jovem trazia já o princípio da regeneração no coração. Trouxera do plano espiritual antes da reencarnação grande vontade de reajustar-se no bem, arrependida dos erros passados. Entretanto, assediada pelos companheiros de outros tempos, caíra-se-lhe a resistência e fora arrastada ao fracasso.
Havia, todavia, a possibilidade, através do Evangelho no trabalho amoroso, esclarecer aqueles corações em desequilíbrio.
Assim, Juvenal procurou a jovem mulher e envolvendo-a carinhosamente inspirou-lhe pensamentos de otimismo. Encontrou-a debilitada. Pensamentos suicidas regurgitavam em sua mente.
Condoído, inspirou-lhe sentimentos novos, sugerindo-lhe a figura de Dona Maria de Lourdes.
A jovem, a princípio não aceitou, mas depois, sentindo-se só e desesperada, decidiu-se a procurar a figura de tão bondosa mulher.
Juvenal sentia enorme alegria.
Timidamente ela tocou a campainha. Dona Maria de Lourdes ao vê-la encolheu-se um pouco olhando assustada por todos os lados.
A infeliz mulher estava humilde:
- Desculpe-me vir aqui, - balbuciou sem jeito – mas estou tão só e desesperada. Sombras tenebrosas me envolvem e tenho sofrido muito. Vim pedir-lhe ajuda.
Dona Maria de Lourdes, um pouco corada e falando baixo, respondeu apressada:
- Sinto muito, mas nada posso fazer.
Rogo-lhe que não me procure mais, alguém nos pode ver juntas ... – embaraçada, gaguejou com voz piedosa – Vá na certeza de que vou pedir a Deus pela senhora.
Agora, adeus.
E sem esperar mais, fechou a porta a toda pressa.
Juvenal, enquanto procurava socorrer como podia a mulher infeliz, viu a seu lado o seu orientador espiritual que confortando-o bondosamente disse-lhe :
Não se aborreça, meu caro. Nossa irmã por enquanto está apenas na fase de pedir. Como sabemos, há sempre grande maioria interessada em pedir, mas raros, muito raros, são aqueles que compreendem a necessidade de dar.
E envolvendo a pobre mulher em eflúvios de amor, ajudou em silêncio Juvenal que, cabisbaixo e calado, acompanhava sua tutelada de volta ao lar.
Meus amigos, todos sabemos que a finalidade da reencarnação é para nos aprimorarmos e evoluirmos espiritualmente, portanto devemos nos vigiar para que nossas atitudes estejam sempre de encontro às boas ações.
Quando Jesus diz para praticarmos a caridade sem ostentação, Ele quer dizer para não nos sentirmos orgulhosos, envaidecidos e nem tão pouco humilharmos aqueles que necessitam de nossa ajuda.
Assim sendo, aquele que consegue fazer o bem e ocultar-se é uma pessoa que tem uma superioridade moral muito grande, pois para ela o que importa é o reconhecimento do Pai e não dos homens, este acredita que temos uma vida mais valiosa em que os valores são apenas morais.
Ao contrário do homem que simula a prática do bem, pois ele quer que as pessoas saibam que ele fora o “benfeitor” daquele indivíduo, deixa sempre uma ponta para que possa ser vista, este já recebera a sua recompensa aqui na Terra, com elogios e se envaideceu com isto. Deus não lhe deve mais nada, não lhe resta receber senão a punição do seu orgulho.
A caridade de coração é aquela que poupa o beneficiado de maiores humilhações, é aquela que faz com quem recebe sentir-se mais útil, do que aquele que a fez, esta pessoa deixa claro que trocaram favores.
A verdadeira caridade é delicada e engenhosa para dissimular o benefício, evita até as menores aparências ofensivas, porque toda ofensa moral aumenta o sofrimento que nasce da necessidade, ela sabe encontrar palavras doces e afáveis que colocam o beneficiado à vontade em face do benfeitor, ao passo que a caridade orgulhosa o esmaga.
Caridade é amor em ação, é o amor que inspira a gratidão, a submissão, e o respeito à vontade do Criador. A vontade manifestada de amar Deus inspira o homem a melhorar-se espiritualmente, procurando progredir moral e intelectualmente.
Muitas vezes as pessoas lamentam não fazerem o bem o quanto gostariam, por falta de recursos e pedem a Deus que os enriqueça para poder auxiliar aos pobres, dar mais assistência aos necessitados. Será que essas pessoas estão pensando em fazer a caridade ou estão pensando em se beneficiar primeiro, satisfazendo-se com os supérfluos que lhes falta ?
Essa Segunda intenção dissimulada, anula o mérito da intenção primeira, porque a verdadeira caridade pensa nos outros antes de pensar em si.
A caridade é a virtude fundamental que deve sustentar todo o edifício das virtudes terrestres, sem ela, as outras não existem. Sem a caridade não há esperança num futuro melhor, nem interesse moral que nos guie, sem a caridade não há fé, por que a fé não é senão um raio puro que faz brilhar uma alma caridosa.
Se possuirmos a verdadeira caridade espiritual, se trabalhamos pela nossa iluminação íntima, irradiando luz, espontaneamente, para o caminho dos nossos irmãos em luta e aprendizado, mais receberemos das fontes puras dos planos espirituais mais elevados, porque depois de valorizarmos a oportunidade recebida, horizontes infinitos se abrirão no campo ilimitado do Universo, para as nossas almas, o que não poderá acontecer aos que lançaram mão do sagrado ensejo de iluminação própria nas estradas da vida, com as mais evidentes despreocupações de seus legítimos deveres, esquecendo o caminho melhor, trocado, então, pelas sensações efêmeras da existência terrestre, contraindo novas dívidas e afastando de si mesmo as oportunidades para o futuro, então mais difíceis e dolorosas.
Pensando e agindo sobre um prisma mais coerente, vamos verificar que existem várias maneiras de praticar a caridade e mesmo sendo possível entre aqueles que não possuem grandes recursos financeiros, pois podemos além de dar dinheiro, além de dar coisas materiais, que são as mais fáceis e que é uma característica de falta de espiritualização da sociedade.
Ninguém, de certo, poderá reprovar o ato de pedir esmola e muito menos de louvar a iniciativa de quem dá a esmola, todavia é oportuno considerar que a medida que o homem se cristianiza, iluminando as suas energias interiores, mais se afasta da condição de pedinte para alcançar a condição elevada do mérito, pelas expressões sadias do seu trabalho.
Quem se esforça nos bastidores da consciência retilínea, dignifica-se e enriquece o quadro de seus valores individuais.
E o cristão sincero depois de conquistar os elementos da educação evangélica, não necessita materializar a idéia da rogativa de esmola material, compreendendo que esperando ou sofrendo, agindo ou lutando, nos esforços da ação e do bem, há de receber, sempre, de acordo com as suas obras e de conformidade com a promessa do Cristo, mas como já havia dito, além da caridade material, podemos e devemos auxiliar de outras formas, como indo aos hospitais, visitar os enfermos, indo aos orfanatos, aos asilos, levando alegria, levando palavras de conforto, levando a fé, a esperança, abrandando um sofrimento físico ou moral, fazer algum serviço em casas de amigos, de parentes, vizinhos que estejam doentes, saber ouvir, saber calar, ser paciente, ser tolerante, orar pelos aflitos, orar por aqueles que não temos muita afeição, dar bons conselhos aos jovens, aos amigos, enfim, sermos solidários com todos.
Vejamos então que não precisamos de riquezas, nem tão pouco de tesouros, para sermos caridosos, pois o sublime da caridade neste caso, é procurar no seu próprio trabalho, pelo emprego de suas forças, de sua inteligência, de seu talento, os recursos que faltam para realizar suas intenções generosas, aí está o sacrifício mais agradável ao Senhor.
Porque para Deus não existe ricos ou pobres, todos são iguais, todos tem as mesmas responsabilidades, todos recebem as mesmas oportunidades de evolução espiritual, só dependem do seu livre arbítrio para conseguirem trilharem a escalada do crescimento.
Dois homens vieram a morrer. Deus havia dito : - Enquanto esses dois homens viverem serão colocados em um saco cada uma das suas boas ações e, na sua morte, serão pesados esses sacos. Quando esses dois homens chegaram à sua hora derradeira, Deus fez trazer os dois sacos; um estava gordo, grande, bem cheio; o outro era muito pequeno, e tão fino, que se via através dele as raras moedas que continha; e cada um desses homens reconheceu o seu :
Eis o meu, disse o primeiro – eu o reconheço. Fui rico e dei muito.
Eis o meu, disse o outro – sempre fui pobre, Ah! Eu não tinha quase nada a partilhar.
Mas, ó surpresa! Os dois sacos colocados na balança, o mais gordo tornou-se leve e o pequeno se fez pesado, tanto que dominou em muito o outro lado da balança.
Então Deus disse ao rico :
Deste muito, é verdade, mas deste por ostentação e para ver o teu nome figurar em todos os templos do orgulho, e, além disso, dando não te privaste de nada; vai para a esquerda e estejas satisfeito de que a esmola te seja contada ainda por alguma pequena coisa.
Depois disse ao pobre :
Deste bem pouco, meu amigo, mas cada uma das moedas que estão nesta balança representa uma privação para ti, se não deste esmola, fizeste a caridade e, o que há de melhor, fizeste a caridade naturalmente, sem pensar que te seria levada em conta; foste indulgente, não julgaste o teu semelhante, ao contrário, desculpaste todas as suas ações. Passa à direita e vai receber a tua recompensa.
Portanto, meus amigos, o sublime da verdadeira generosidade é quando o benfeitor mudando de papel, encontra o meio de parecer ele mesmo beneficiado em face daquele a quem presta serviço.
Eis o que querem dizer estas palavras “que a mão esquerda não saiba o que dá a mão direita.
Pensando e refletindo um pouco mais, poderemos verificar o quanto nós espíritas cristãos somos privilegiados, pois possuímos patrimônio de entendimento muito acima da compreensão normal dos homens encarnados.
Em verdade, sabemos que a vida prossegue vitoriosa, além da morte, que se encontra na escola temporária da Terra, em favor da iluminação espiritual que nos é necessária, que o corpo carnal é simples vestimenta a desgastar-se cada dia, que os trabalhos e desgostos do mundo são recursos educativos, que a dor é o estímulo às mais altas realizações, que a nossa colheita futura se verificará, de acordo com a sementeira de agora, que a luz do Senhor clarear-nos-á os caminhos, sempre que estivermos a serviço do bem; que toda oportunidade de trabalho no presente é uma benção dos Poderes Divinos; que ninguém se acha na crosta do planeta em excursão de prazeres fáceis, mas sim, em missão de aperfeiçoamento; que a justiça não é uma ilusão e que a verdade surpreenderá toda a gente; que a existência na esfera física é abençoada oficina de trabalho, resgate e redenção e que os atos, palavras e pensamentos da criatura produzirão sempre os frutos que lhes dizem respeito no campo infinito da vida.
Efetivamente sabemos tudo isto.
Em face, pois, de tantos conhecimentos e informações dos planos mais altos, a beneficiarem nossos círculos felizes de trabalho espiritual, é justo ouçamos a interrogação do Divino Mestre:
Que fazeis mais que os outros ?
Prece de Cáritas
Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, daí a força àqueles que passam pela provação, daí a luz àquele que procura a verdade, ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.
Deus! Daí ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.
Pai! Daí ao culpado o arrependimento, ao Espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai.
Senhor! Que vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes.
Piedade, Senhor, para aqueles que vos não conhecem, esperança para aqueles que sofrem.
Que a vossa bondade permita aos Espíritos consoladores derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé.
Deus! Um raio, uma faísca do vosso amor pode abrasar a terra; deixa-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.
Um só coração, um só pensamento subirá até vós, como um grito de reconhecimento e de amor.
Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos com os braços abertos, oh! Bondade, oh! Beleza, oh! Perfeição, e queremos de alguma sorte merecer a vossa misericórdia.
Deus! Dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará das nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Imagem.

Fonte: Mensagens de Saúde Espiritual - Marcos Vinicius” e o Evangelho Segundo o Espiritismo

 

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